quarta-feira, 15 de abril de 2015

Questão sobre Situs (Prova DIC 2012)













Questão sobre situs cardíaco. O enunciado relata que o ápex está à direita, logo o paciente possui dextrocardia. Nesta situação, existem duas possibilidades: situs inversus total, com toda a anatomia invertida, ou dextrocardia isolada (o enunciado não fala nada sobre discordância atrioventricular ou ventriculoarterial, logo creio que deve se atribuir que estão normais.
A avaliação do situs é feita pela avaliação da posição relativa da cava e da aorta, como se segue:
1. Cava a direita e levemente anterior em relação à aorta, que está à esquerda: situs solitus
2. Cava e aorta à direita, em geral com cava mais anterior que a aorta: situs ambiguus, tipo isomerismo atrial direito (paciente tem dois átrios "direitos")
3. Aorta à esquerda e veia hemiázigos à esquerda (podendo eventualmente estar à direita), ambos os vasos passando pelo diafragma, sem conexão com o coração no nível toracoabdominal: situs ambiguus, tipo isomerismo atrial esquerdo (paciente tem dois átrios "esquerdos").

Resposta correta: situs solitus com dextrocardia isolada - alternativa D

domingo, 12 de abril de 2015

Temas suscitando dúvidas

Olá, colegas. Como todos sabem, o colega Diego e eu estamos nos preparativos finais para a prova de certificação em Ecocardiografia, que ocorrerá na semana que vem, antes do Congresso do DIC, no Rio de Janeiro. Tenho revisado mais aprofundadamente diversos temas da ecocardiografia, e alguns, menos comuns, tem suscitado algumas dúvidas, que em função do pouco tempo para estudo e a baixíssima frequência de aparecimento em questões de prova, tem sido sistematicamente deixados de lado por mim (pelo menos até a prova).
Por isto, gostaria de dividir com os amigos alguns temas que levantaram dúvidas teórico-práticas, e convidá-los a revisar os assuntos, buscando resumos e artigos de revisão.
Listarei os temas em relação abaixo, e conforme as dúvidas forem surgindo, vou acrescentando à lista (e convido o Diego a acrescentar temas também, para enriquecimento do conhecimento de todos).

1. Modo M da Estenose Pulmonar com falência ventricular direita;
2. Variação da posição da hemiázigos no isomerismo atrial esquerdo;
3. Divertículo de VE;
4. Síndrome de Morquio (achados ecocariográficos);
5. Janela Aortopulmonar e diferenciação com Truncus Arteriosus - achados ecocardiográficos menos frequentes;

Se encontrarem resumos ou artigos de revisão (mesmo que só o Abstract), enviem para o Dropbox do grupo, para que todos possamos ler.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Questão sobre 2ª Harmônica (Prova DIC 2012)


Questão sobre fonte emboligênica cardíaca (Prova DIC 2012)


Questão sobre TGA (Prova DIC 2012)






















Questão extremamente controversa, na minha opinião, e certamente um tema árido para o ecocardiografista de adultos. A TGA é um tópico necessário no arsenal de conhecimento do ultrassonografista de adultos em função do switch arterial desenvolvido pelo Dr. Jatene, que faz com que estes pacientes possam chegar à idade adulta, e possam eventualmente ser avaliados por nós.

A questão trata da transposição completa, ou D-transposição (onde o D se refere ao posicionamento da artéria aorta em relação a pulmonar).

Analisando as alternativas, temos o seguinte:

I. A anomalia de coronárias mais frequente sem dúvida é a origem anômala da coronária circunflexa junto com a coronária direita no mesmo óstio. A segunda mais frequente em ordem de aparição é a origem da ACD do óstio da ACE.  Proposição correta.

II. A continuidade mitro-pulmonar é a avaliação da ligação por tecido fibroso entre o folheto anterior da válvula mitral e a artéria aorta. Esta avaliação é fundamental nas patologias chamadas "co-truncais" (T4F, dupla via de saída do VD, atresia pulmonar com CIV, e Troncus arteriosus). Esta continuidade é "rompida", por assim dizer, nas patologias em que a musculatura conal (do bulbus cordis) não é reabsorvida, e a porção muscular do cone arterial fica interposta entre o folheto anterior da mitral e a válvula aórtica. Na TGA, a válvula mitral se relaciona com a artéria pulmonar, que está transposta, mas não há tecido muscular truncal neste segmento. A melhor janela para avaliação desta continuidade é, por óbvio, a paraesternal eixo longo. Proposição correta.

Analisando a última proposição antes da III:

IV. Na maioria das vezes, a aorta está a DIREITA (daí como coloquei acima o nome D-transposição). Apesar deste posicionamento não ser obrigatório para o diagnóstico, já que em algumas oportunidades a aorta pode emergir exatamente à frente da artéria pulmonar ou até mesmo ligeiramente à direita, certamente na imensa maioria dos casos ela está à direita. Proposição correta.

III. Aqui na minha opinião, está a controvérsia. Evidentemente, a relação em paralelo dos vasos fica evidente na janela paraesternal eixo LONGO, e não no eixo curto, pois na janela transversal, apenas a seção transversal dos vasos é vista, e não permite afirmar com certeza o paralelismo dos mesmos. Porém, em diversas bibliografias, o posicionamento dos vasos, em imagens do eixo curto, é descrita como "em paralelo" nas descrições das imagens, apesar dos textos não entrarem em detalhes sobre isto. Parece-me mais lógico considerar esta alternativa como incorreta (até porque nenhuma alternativa apresenta apenas a proposição IV como errada), já que a visualização dos vasos de forma paralela por definição necessita avaliação do eixo longitudinal dos mesmos, o que só é possível na janela longitudinal, mas cabe ter atenção quanto a nomenclatura utilizada na bibliografia recomendada pela banca.

Resposta correta: Alternativa B (proposições III e IV incorretas).


 

Questão sobre doenças do pericárdio (Prova DIC 2012)


















Analisando as alternativas:
a) Correto. Na pericardite constritiva a velocidade de propagação do fluxo diastólico em direção ao ápice ventricular esquerdo geralmente está normal ou mesmo aumentado (com uma inclinação muito importante da curva, apresentando vlores muito acima de 50cm/s). Esta inclusive é uma forma de diferencia a constrição da fisiologia restritiva, pois na restrição o Vp encontra-se bastante reduzido.

b) Correto. Na agenesia de pericárdio, muitas vezes o ictus pode ser detectado quase na axila, desviando as cavidades para esquerda. O diagnóstico muitas vezes é feito quando no ETT se encontra dilatação de cavidades direitas e movimentação anômala septal interventricular, e o paciente é enviado a ETE para buscar CIA, demonstrando no exame pelo esôfago que não há comunicações anômalas entre os átrios. Geralmente também há hipermotilidade das cavidades ventriculares em especial as esquerdas. O movimento paradoxal do septo muitas vezes é consequência de um "prolapso" do VD em direção ao VE, que não está contido pelo pericárdio.

c) Correto. No tamponamento cardíaco (e também usualmente na pericardite constritiva), o TRIV se prolonga em até 20% na inspiração.

d) Incorreto. Na pericardite constritiva, o fluxo das veias hepáticas em direção ao átrio direito é confinado à fase inspiratória do ciclo, sendo revertido na expiração.

e) Correto. Na análise do fluxo mitral em paciente com tamponamento, a expiração aumenta o fluxo e a inspiração diminui, podendo até mesmo inverter a relação E/A.

Alternativa incorreta letra D.

Questão sobre contrastes (Prova DIC 2012)

Colegas, vou postar as questões da prova do DIC de 2012, para discussão do grupo. Minha proposta é analisarmos todas as questões, alternativa por alternativa. Esta prova foi considerada a mais difícil dos úlitmos anos, com um índice de aprovação bastante baixo, e recebeu uma série de críticas em função do suposto distanciamento das questões em relação a prática clínica.


sábado, 4 de abril de 2015

Questão sobre função diastólica

Os valores de fluxo mitral de um bebê de 1 ano são os seguintes: TRIV VE: 50ms;   E/A: 2,5;  tempo de desaceleração da onda E: 120ms. Isto denota função diastólica:

a) Normal
b) Sugestivo de relaxamento do VE anormal
c) Sugestivo de pressão de AE elevada
d) Pseudonormal
e) Não é possível avaliar a função diastólica nesta faixa etária


A avaliação da função diastólica é possível em crianças e obedece a princípios semelhantes aos utilizados em adultos. Porém, em crianças jovens, o padrão normal termina por mimetizar o padrão restritivo (pressão AE alta), em função de uma performance ótima do relaxamento ventricular esquerdo, onde o VE "aspira" o sangue de dentro do AE no início da diástole, com a contração atrial esquerda contribuindo muito pouco para o enchimento diastólico ventricular.
A chamada B3 fisiológica, auscultável em algumas criança, é reflexo da desaceleração rápida da onda E.


No relaxamento anormal do VE pressupõe inversão da relação E/A e prolongamento do tempo de desaceleração e do TRIV. A questão relata que o paciente apresenta exatamente o contrário. Já no padrão pseudonormal, a relação E/A não costuma ser maior que 1,5.

Resposta correta alternativa A.

Cliquem aqui para acessar a partir do dropbox do grupo um artigo sobre análise da função diastólica em crianças, escrito pela Dra. Estela Horowitz, cardiologista e ecocardiografista pediátrica do IC-FUC

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Dropbox do Grupo

Amigos, acabo de enviar o convite de compartilhamento da pasta do dropbox "Artigos e Guidelines do Grupo de Estudos Ecocardio" para os colegas que já forneceram o email (enviei para os emails de login dos comentários, portanto se o dropbox de vocês está vinculado a outro endereço de email, por favor avisem para que eu conceda permissão de compartilhamento para outro endereço eletrônico). Deixei compartilhado na pasta o resumo referente à alternativa E da questão sobre dilatação do seio coronariano, que trata da continuidade da veia ázigos com a veia cava inferior.
Se os amigos tiverem algum outro material sobre o assunto, por favor adicionem na pasta do dropbox e avisem no blog para discutirmos sobre o tema.

Questão sobre física do Ultrassom

Se um eco retorna 39microseg depois de um pulso ter sido emitido, a que profundidade o objeto refletor deve estar na linha de varredura?
a) 3cm
b) 6cm
c) 1cm
d) 19,5cm
e) Nenhuma das acima


A questão necessita de um valor já pré-estabelecido para sua resolução: a velocidade de condução da onda sonora nos tecidos moles. Esta velocidade não depende da frequência do transdutor.
Velocidade nos tecidos moles: 1540m/s
Velocidade no sangue: 1570m/s
Velocidade no ar: 330m/s

Sabendo-se o valor da condução da onda sonora (1540m/s), o restante é apenas cálculo matemático.

1540m/s equivale a 0,154cm/microseg; Através de uma regra de três:

1 microseg   -  0,154cm
x microseg   -  1cm

x . 0,154cm = 1microseg . 1cm

x = 1/0,154

x = 6,49microseg,  ou seja,  a onda sonora leva 6,49microseg para viajar uma distância de 1cm.

Se viaja uma distância de 1cm em 6,49microseg, quanto viajará em 39microseg?

1cm  -  6,49microseg
xcm  -  39microseg

x . 6,49microseg  =  1cm  .  39microseg

x = 39/6,49

x = 6cm

Porém, esta é a chamada "distância de cruzeiro" ou "distância de viagem", ou seja, é a distância de ida + a distância de volta. Logo, a profundidade do objeto refletor é a metade da "distância de cruzeiro", ou seja:

profundidade = 6cm/2   -  profundidade = 3cm

Resposta letra A.